Diretor de Itaipu diz que ameaça paraguaia de não ceder energia ao Brasil não preocupa

Segundo Jorge Miguel Samek, a usina tem regras que definem claramente as formas de compra e o seu funcionamentoA declaração do presidente do Paraguai, Federico Franco, de que seu país não continuará "cedendo" energia ao Brasil nem à Argentina, não preocupa o diretor-geral brasileiro da Usina Hidrelétrica de Itaipu, Jorge Miguel Samek. Segundo ele, a usina tem regras que definem claramente as formas de compra de energia e o seu funcionamento.

Em nota publicada nessa quarta, dia 8, no portal da Presidência paraguaia, Franco diz que “a decisão do governo é clara. Não continuará a ceder nossa energia”, para em seguida enfatizar:

– Notem que eu usei a palavra ‘ceder’, porque o que estamos fazendo é dar energia para o Brasil e a Argentina. Não estamos vendendo mesmo – declarou o presidente paraguaio ao defender o estabelecimento de “uma política de Estado” do país sobre a questão.

De acordo com o governo paraguaio, até dezembro será enviado ao Congresso do país um projeto de lei que garantirá que a decisão não seja alterada por seus sucessores, de forma a garantir a soberania e a convergência energética do Paraguai.

– Vamos trazer aquilo que é nosso, de Itaipu e Yacyretá, e criar postos de trabalho para evitar migrações. A única alternativa será criar condições de segurança a fim de industrializar o país – avaliou.

Samek disse à Agência Brasil que não está “nada preocupado” com o caso.
– Itaipu tem contrato e tratado que estabelecem claramente formas de compra [de energia] e de funcionamento [da usina]. Eles compram a energia necessária para o país e o que não consome é comprado pelo Brasil. Claro que se eles consumirem mais haverá, obviamente, menos energia para o Brasil. Mas isso requer instalação de novas indústrias e fatores que levem a um maior consumo. Isso está muito bem consumado no contrato – disse Samek.

O diretor de Itaipu acrescentou que teve um encontro muito positivo com o presidente paraguaio na semana passada.

– Estive com o presidente Franco na última sexta, dia 3, quando ele visitou as instalações da usina. Conversamos muito e ele acenou que estava tudo normal – declarou.

O diretor da usina não quis comentar o teor da nota publicada pela Presidência paraguaia. Ele disse que não entra em questões de política interna do país vizinho.

A Usina Hidrelétrica de Itaipu, construída e administrada conjuntamente pelo Brasil e Paraguai, tem 14 mil megawatts de potência instalada e atende a cerca de 19% da energia consumida no Brasil e a 91% do consumo paraguaio. O Tratado de Itaipu, firmado em 1973, estabelece que cada país tem direito a usar metade da energia gerada pela usina. Como usa apenas 5% do que teria direito, o Paraguai vende o restante ao Brasil.