Brasil é destaque em debate sobre cotas europeias de importação de açúcar

Presidentes da Associação Europeia dos Consumidores de Açúcar e da Confederação Geral dos Plantadores de Beterraba da França discordam sobre a abertura do mercado europeu para o açúcar brasileiroO Brasil foi o tema central de uma acalorada discussão no início do 21º Seminário Anual da Organização Internacional do Açúcar (OIA), realizado em um centro de eventos em Canary Wharf, bairro financeiro de Londres, na Inglaterra.

Em um debate sobre a política europeia de cotas de importação, dois franceses – o presidente da Associação Europeia dos Consumidores de Açúcar (Cius), Robert Guichard, e o presidente da Confederação Geral dos Plantadores de Beterraba da França (CGB), Alain Jeanroy – trocaram farpas ao falar do país.

Primeiro a tomar a palavra, Guichard defendeu os grandes consumidores de açúcar, como as indústrias de alimentos e bebidas.

– A indústria europeia não pode comprar livremente o açúcar por essa política de cotas. A política de cotas não está funcionando. Então, em Bruxelas, só fala uma coisa: mas e o Brasil? E o Brasil? O açúcar brasileiro vai invadir a Europa! Ora, se abrirmos o mercado, temos instrumentos para nos defender  – afirmou, ao comentar que o fim das cotas deveria ser adotada a partir de 2015, prazo final para os atuais limites de importação. Além do cargo na Associação, Guichard é executivo na Kraft Foods.

Durante a apresentação, Guichard defendeu o livre acesso ao açúcar não europeu, seja de grandes exportadores como o Brasil ou de pequenos produtores. Alain Jeanroy, representante dos produtores franceses de beterraba, falou em seguida.

– Só peço uma coisa ao senhor Guichard: paciência. Hoje, temos uma diferença de produtividade de cerca de 30% para o Brasil, mas a União Europeia está se tornando cada vez mais produtiva. Vamos chegar lá, não será amanhã, mas vamos chegar lá. Portanto, senhor Guichard, tenha paciência – disse, ao exibir números que mostram que a produtividade das plantações de beterraba tem crescido a uma média anual de 2%.

Ao comentar que toda nova concessão de cota extraordinária para importação de açúcar ou matéria-prima para refino deve ser “muito bem explicada”, o representante da associação agrícola disse ainda que, em relação ao Brasil, é preciso que se mantenha um quadro de regulação por mais tempo.

Defensor da manutenção das cotas europeias de importação até, pelo menos, o ano de 2020, Jeanroy  disse, abertamente, que um dos objetivos dessa estratégia é ganhar tempo para aumentar a competitividade e, assim, competir em pé de igualdade com grandes produtores.