A expectativa das entidades está em linha com o estimado pela Emater do Rio Grande do Sul, que calcula a produção no Estado em 4,79 milhões de toneladas, afirmando também que as lavouras registram bom potencial produtivo e qualidade comercial.
Segundo o ex-ministro da Agricultura e atual presidente da Abramilho, Alysson Paolinelli, o milho do Rio Grande do Sul registra uma excelente qualidade por conta, em grande parte, do sistema de irrigação subterrânea, que consome menos energia e água, deixando os custos baixos e aumentando a produtividade.
– A safra de milho deve ser muito boa, excepcional. Estou muito animado com o Rio Grande do Sul. O programa de irrigação é o que o Brasil precisa – afirmou. O ministro participará da 4ª Abertura Oficial da Colheita de Milho, que ocorrerá amanhã, dia 15, e sexta, dia 16, em Horizontina (RS).
Apesar do otimismo com os produtores gaúchos, Paolinelli demonstrou preocupação com produtores de outros estados, especialmente do Centro-Sul, que sofrem com a falta de chuvas nas lavouras.
– Infelizmente, a safra de milho desse ano não deve repetir o ano passado, deve cair um pouco – afirmou.
Desafios
Para o ex-ministro, o milho brasileiro é um dos melhores do mundo, e a segunda safra possui potencial para ter a mesma qualidade que a primeira, algo único no mundo. No entanto, ele destacou que o Brasil ainda tem dificuldades de competir com outros grandes produtores, como os Estados Unidos, por conta do baixo apoio oferecido pelo governo federal ao setor.
– A pareceria com o governo é o grande segredo dos grandes produtores mundiais, e o Brasil ainda não tem isso – disse.
Ele afirmou que a Abramilho está trabalhando para lidar com essa situação através do Plano para Produção de Milho no Brasil, um pacote de medidas para aumentar a competitividade do setor, que inclui mudanças em regulações sobre o uso de terra para incentivar a integração de diferentes culturas e novas formas de crédito rural, com melhoras nos mecanismos de proteção de agricultores.
– O Brasil precisa ter um plano para trabalhar toda a cadeia produtiva, um plano para que o Brasil se torne um dos maiores players de milho. Eu acredito nisso – disse Paolinelli.
As propostas devem ser apresentadas à ministra da Agricultura, Kátia Abreu, em audiência programada para o final do mês.