A batata é o quarto produto mais consumido no mundo, ficando apenas atrás do trigo, do arroz e do milho. Nos últimos cinco anos, o Brasil vem mecanizando a produção e passou a pressionar para que a taxa de importação da batata aumentasse. E deu certo: a taxa passou de 14% para 25% para os produtores, é uma medida que não fere as regras da Organização Mundial do Comércio e estimula a indústria brasileira.
– Nos últimos anos, com a relação do custo de produção da Europa, a taxa é bem inferior ao custo de produção brasileira. Então, se não houver uma taxação nas batatas importadas, nós perdemos muito na competitividade – afirma o produtor e diretor da Associação Brasileira da Batata (ABBA), Kenji Okamura.
Na Argentina, produtores como Mario Andreu estão com bons preços, mas não comemoram porque o clima reduziu a produtividade pela metade e provocou o desabastecimento do mercado interno.
– Agora, a Argentina está vivendo um bom momento de preços, mas os rendimentos não são os mesmos que o ano passado. Isso está afetando muito o abastecimento do país, o que aumenta muito os preços e faz com que o consumidor se afaste um pouco do consumo da batata como alimento principal – avalia o produtor.
O presidente da Associação Brasileira da Batata, Marcelo Barelini, traçou um histórico desde os primeiros relatos da cultura, há oito mil anos, e descobriu a imigração de 1,5 milhões de irlandeses que desembarcaram na América do Norte depois que as plantações de batata na Irlanda foram dizimadas por uma doença. Esse fato teria mudado o destino da presidência dos Estados Unidos.
– Nada menos do que 23 presidentes são descendentes de irlandeses. Talvez, se não tivesse havido este problema com a batata, o mundo tivesse outros rumos.
O consumo mundial de batata hoje chega a 350 milhões de toneladas. A grande preocupação dos especialistas, no entanto, é com a queda no consumo nos países desenvolvidos, que atribuem à batata o papel de grande vilã na alimentação. Por isso, o evento deve elaborar uma proposta para criação de um conselho internacional. O objetivo é melhorar a imagem da batata junto ao consumidor moderno.