A semeadura dos 53 mil hectares de cevada começou em maio e terminou em julho na região de Guarapuava (PR). A cultura é importante para rotação de culturas no centro-sul do Estado. O clima permite plantio de milho somente no verão. As geadas e o excesso de chuvas também ameaçam a cevada, mas os produtores têm uma boa razão para investir no cereal.
Segundo o agricultor, Cristian Abt, a cevada é uma cultura que, como todas as outras de inverno, é de extremo risco, principalmente climático.
? Todos os produtores no Brasil inteiro correm esse risco, mas nossa vantagem é pela indústria onde a gente consegue colocar o nosso produto sempre.
A cevada é preciosa porque se transforma em malte, um dos componentes básicos da cerveja. A colheita, que começa em setembro e vai até dezembro, deve ser de 195 mil toneladas, 8% maior do que a safra passada, calcula a Secretaria de Agricultura do Paraná.
Apesar dos altos riscos, os produtores têm uma garantia: praticamente toda a produção de cevada da região é absorvida pela Cooperativa Agrária. A Maltaria, construída na década de 1980, foi ampliada em 2009. Atualmente tem capacidade para produzir 230 mil toneladas de malte por ano.
A Maltaria é uma das agroindústrias da Cooperativa, formada por imigrantes alemães, no total 550 cooperados abastecem a fábrica. A Cooperativa também estimula o plantio em Santa Catarina e no norte do Rio Grande do Sul, onde a qualidade é exigida desde a variedade semeada.
? Nós determinamos na recepção da cevada a qualidade da carga. Analisamos a proteína, que tem que ter uma classificação mínima, e uma germinação mínima de 95%. A qualidade da cevada pode determinar a qualidade do malte. Uma cevada sem qualidade não vai nos dar um malte com qualidade ? explica o coordenador da Maltaria, Vilmar Schüssler.
O malte produzido em Guarapuava é utilizado por mais de cem cervejarias no Brasil, de artesanais a grandes, totalizando mais de 300 marcas. A Maltaria é a segunda maior da América Latina.
A cevada ajuda a manter a economia de pequenos e médios agricultores de Guarapuava, de parte de Santa Catariana e norte do Rio Grande do Sul.
De acordo com o presidente da Cooperativa Agrária, Jorge Karl, o mercado brasileiro de cervejas tem crescido muito nos últimos anos.
? Isso com certeza está relacionado ao crescimento da economia brasileira de um modo geral e o consumo de cerveja tem aumento nesses anos. Isso faz com que, logicamente, toda a cadeia seja beneficiada, ou afetada por esse crescimento ? afirma.