Ele também falou sobre etanol e rebateu as críticas dos europeus que acusam o governo brasileiro de desmatar o bioma amazônico para ampliar áreas de produção.
? Eu não estou preocupado com os europeus. Eles [europeus] que vão plantar suas matas ciliares e que dêem menos palpite aqui. Essa é a minha visão ? afirmou.
Ainda sobre os biocombustíveis, o ministro disse que o óleo de palma é a matéria-prima mais eficaz para a produção de biodiesel, por apresentar alta produtividade. Ressaltou, no entanto, que 90% do óleo do país é feito a partir da soja.
Stephanes também comentou a atual tensão na oferta e demanda internacional por alimentos, que classificou como uma oportunidade para o Brasil. Na avaliação dele, os preços das principais commodities devem manter a tendência de alta, com exceção do trigo e do arroz.
Ao final de sua palestra, Reinhold Stephanes apresentou uma agenda com as atuais prioridades de sua pasta. A principal dificuldade do governo, segundo ele, é controlar o preço de adubos e fertilizantes, o que corresponde a até 50% dos custos de produção. Stephanes explicou que 90% do potássio e 60% do fosfato utilizados na produção de adubo e fertilizantes no Brasil vêm de outros países, mas afirmou que o país tem condições de ser auto-suficiente na produção desses insumos.
? O Brasil tem minas mais que suficientes de forma distribuída no território nacional e quer tornar auto-suficiente num prazo que varia de cinco a 10 anos tanto na produção de fertilizantes que tem origem no fosfato como dos que são fabricados a partir do nitrogênio ou gás ? concluiu.
Abertura
Pouco antes do pronunciamento do ministro da Agricultura, durante a cerimônia de abertura do seminário Perspectivas para o Agronegócio em 2008 e 2009, o vice-presidente do CME Group, Charles Carey, manifestou a expectativa de que o etanol braslileiro consiga abrir as portas do mercado dos Estados Unidos onde, segundo ele, aumentou a demanda por biocombustíveis. Atualmente, os americanos sobretaxam o álcool feito no Brasil em US$ 0,54 por galão.
O presidente do Conselho de Administração da B&MF Bovespa, Gilberto Mifano, também defendeu o etanol brasileiro, descartando a responsabilidade do setor pela alta nos preços dos alimentos. Mifano destacou também que o volume dos contratos ligados ao agronegócio na bolsa aumentaram 89% de janeiro a maio deste ano, na comparação com o mesmo período no ano passado.