? A safra é colhida em um período pequeno, entre agosto e dezembro, e o consumo é durante todo o ano, então, há um problema de estoques. Nós não temos um mercado futuro que resolve essa questão como em outros países de primeiro mundo. Nós temos uma pressão baixista de preço no auge da colheita. A gente tem a colheita do trigo nacional, tem do Paraguai, do Uruguai e da Argentina, que é grande produtor e tem no Brasil seus maiores clientes. Tudo isso pressionando o agricultor, que precisa fazer dinheiro para a safra de verão, então ele tem pressa, tem que pagar os compromissos. Todo ano tem pressão nesse momento, por falta de um mercado futuro ? diz Rae.
Entre os produtores, há dificuldade para vender a safra. No Paraná, apenas 15% da colheita foi vendida até agora. Segundo Rae, a comercialização do trigo nacional é prejudicada, entre outros fatores, pelo subsídio do governo à farinha argentina.
? Nessa época sempre tem o problema de ter a safra dentro de casa e não ter cliente para comprar. O moinho compra para fazer estoque para um mês, não compra para estocar todo o ano. Ela é prejudicada por outros fatores, há um subsídio para a entrada de farinha argentina, a farinha argentina entra justamente na fronteira com Estados produtores, e isso pressiona os preços para baixo, essa diferença é tão grande que há moinho pequeno no Paraná que compra farinha argentina e revende, deixando de moer. Outra dificuldade é que nós não temos outro sistema de transporte adequado. Há um conjunto de fatores que dificultam os preços a baixarem ? declara.
Na próxima semana, a Conab vai realizar leilões de subvenção para sustentar os preços do trigo na região Sul, um será de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e outros dois serão de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP).
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Reino Pécola Rea no Mercado & Cia: