O número mostra o rápido crescimento dos transgênicos na agricultura brasileira. Na safra de verão 2008/2009, quando a tecnologia foi utilizada pela primeira vez em lavouras de milho do país, as sementes transgênicas representaram 5%. Na safra de inverno (safrinha) 2009 o índice de utilização chegou a 12%. O superintendente-executivo da Abrasem, José Américo Pierre Rodrigues, explica que o uso só não foi maior porque a oferta do insumo estava limitada no período.
? Apesar da estimativa de queda de 25% na área plantada com milho na safra de verão (2009/2010), o uso das sementes transgênicas continua crescendo ? observa o secretário executivo da Associação Paulista dos Produtores de Sementes e Mudas, Cássio Camargo.
Segundo ele, a expansão acontece porque a semente transgênica permite reduzir o uso de defensivos e gera ganhos de 10% a 15% na produtividade. No cultivo convencional, o número de aplicações de inseticidas ? para combate a pragas como a lagarta do cartucho ? varia de três a cinco vezes. Com o híbrido geneticamente modificado o produtor monitora as lavouras e, quando necessário, realiza uma aplicação, segundo especialistas.
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou, até o momento, cinco sementes transgênicas Bt, resistentes a insetos considerados pragas nas lavouras de milho. Deste total, três já são utilizadas pelas companhias para a produção dos cerca de 60 híbridos que são vendidos atualmente no mercado nacional.
Tecnologias tendem a ser desenvolvidas no Brasil
Goran Kuhar, responsável pelas áreas de Regulamentação e Relações Governamentais da Pioneer, explica que as aprovações da comissão são individuais e não em bloco.
? A demora existe em todos os países e não só no Brasil. Isso é importante para que a tecnologia seja testada e assimilada. O processo se adiantou nos últimos dois anos ? afirma.
Mas ressalva que o Brasil ainda tem uma defasagem de 10 anos em relação aos Estados Unidos e Argentina, pioneiros no uso da tecnologia. Segundo o executivo, a expectativa é que a partir de agora as tecnologias também sejam desenvolvidas no Brasil e exportadas para outros países.