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Agronegócio comemora os dez anos da moratória da soja na Amazônia

Acordo entre governo, ambientalistas e empresários é considerado um marco ambiental, responsável pela redução do desmatamento na região

Fonte: Pixabay/divulgação

Governo, ambientalistas e empresários do agronegócio comemoram dez anos da moratória da soja. Por meio desse pacto, entidades do setor se comprometeram a não comercializar ou vender a leguminosa produzida em áreas desmatadas na Amazônia. O acordo é considerado um marco ambiental. A Agrosatélite, que monitora o avanço das áreas exploradas no bioma, estima que, antes da moratória, quase 6 mil km² eram desmatados anualmente na região para o cultivo de soja. Entre 2009 e 2014, o total foi reduzido para 826 km² por ano.

A Amazônia representa mais da metade das florestas tropicais remanescentes no planeta. Trata-se de bioma vital, que vem sendo preservado por um modelo de agricultura mais consciente. “Se a soja continuasse a se expandir sem controle, ela poderia ser uma enorme ameaça para a Amazônia”, afirma o ambientalista do Greenpeace Paulo Adario.

O diretor- executivo da Agrosatélite, Bernardo Rudorff, lembra que a moratória não inibiu o plantio de soja na região. Pelo contrário, diz, ela se expandiu muito nesse período, mas em áreas abertas antes da decretação da moratória.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli, o ponto mais positivo da moratória foi incluir a sociedade civil no acordo. “Nós passamos a trabalhar todos pela mesma causa e não um contra o outro para ver quem tinha razão”.

Para o gerente de sustentabilidade da Abiove, Bernardo Pires, o desmatamento despencou três vezes, e a área plantada de soja subiu de um milhão para quatro milhões de hectares. 

O ministro interino da Agricultura, Eumar Novacki, considera que o processo mostrou para o mundo que o Brasil produz bem respeitando o meio ambiente. “Basta lembrar que 61% do território brasileiro está preservado, está coberto com vegetação nativa. Nenhum país do mundo tem esse ativo para mostrar”. 

O aniversário do pacto retomou a discussão sobre a urgência de usar o modelo para frear o desmatamento agropecuário em outras regiões, como é o caso do Cerrado. O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, propôs nesta quarta-feira, dia 18, um acordo similar para preservar a mata nativa da região.

Diretor da Cargill, Maximiliano Slivnik afirma que no Cerrado não há uma crise como existia na Amazônia. “Nós temos um fato que é uma expansão agrícola para pecuária já bastante consolidada. Agora, há novos meios para garantir e consolidar uma produção sustentável no Brasil”.

Pecuária

A pecuária também é apontada pelos ambientalistas como uma atividade que precisa ser reavaliada no país. Dados recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que 60% da área desflorestada na Amazônia é utilizada para pastagem. Desde 2009, um modelo semelhante à moratória da soja já é seguido por três grandes frigoríficos do país, mas as práticas precisam ser ampliadas.

Para o diretor de sustentabilidade da JBS, Márcio Nappo, é preciso “esticar a regra”. Ou seja, toda a indústria da carne deve operar com essa mesma política de preservação da floresta. “Isso vai agregar valor ao nosso setor. A gente vai poder dizer que o Brasil como um todo produz um bife sem desmatamento”. 

Paulo Adario, do Greenpeace, afirma que é muito mais fácil monitorar a soja do que o boi, “porque soja não anda”. Segundo ele, os grandes frigoríficos estão cumprindo as determinações para eliminar o desmatamento da cadeia. Mas a pecuária brasileira, como um todo, ainda necessita de uma revolução tecnológica para se alinhar à sustentabilidade. “Hoje, o rebanho do Brasil é mais do que o do dobro do americano e produz muito menos carne. Então é possível você aumentar o ganho do produtor sem desmatar e sob o controle da sociedade”, acredita.

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